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Espetacularização na política

Artur Almeida

A espetacularização na política não é de hoje, remonta ao Século XIX, mas, somente no século XX, é que o “teatro” se torna mais real. No Brasil, as transformações tiveram início na década de 70 com a modernização do sistema de comunicação, com a constituição de grandes redes televisivas que operaram o condão de transformar o povo com suas peculiaridades e concretudes em “massa” e da sofisticação do sistema de marketing que passa a ter na TV o seu principal veículo (Rejane Vasconcelos Accioly Carvalho)

Foi com a ascensão do governo militar (a partir da Revolução de 1964), notadamente no governo Gal. Garrastazu Médici, onde se começou a “vender” o Brasil com imagens de grande potência e de segurança nacional através de super campanhas publicitárias. No ano de 1970, época em que a seleção brasileira se tornou tri-campeã mundial de futebol, a grande sacada foi a propaganda em massa do “hino”: “90 milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração”. O marketing objetivou atingir a população brasileira (doente por futebol), para esconder o extermínio e perseguição de milhares de pessoas que eram contra o regime militar.

Mas foi em meados da década de 80 com o restabelecimento das eleições diretas (prefeituras de capitais e governos de Estado), os efeitos das técnicas de marketing foram sentidas nas campanhas políticas.

Em vista disso, o coronelismo que imperava notadamente na região Nordeste foi perdendo fôlego. Era o “teatro” político através do marketing que superava as intimidações e políticas clientelísticas dos “coronéis”. Era o espetáculo da política que surgia montado fundamentalmente para a janela mágica da TV. Já não se tem apenas um momento único de julgamento das campanhas: o da votação. Agora as pesquisas se encarregam de multiplicar os momentos em que os consumidores são chamados a decidir qual produto comprariam.

Um dos momentos mais significativos da espetacularização na política no Brasil, foi sem dúvida foi em 1989 quando um candidato a Presidente da República, Collor, saído de Alagoas, chegar ao poder, usando o slogam de “caçador de marajás” (servidores públicos estaduais e federais que percebiam salários altíssimos). Era a prova cabal de que o teatro político havia chegado para desbancar métodos antigos da politicagem nacional.

Mas foi agora, notadamente nas eleições de 2010, onde a espetacularização na política chegou ao seu maior esplendor, com a utilização da internet, onde partidos e políticos puderam teatralizar suas idéias não apenas na TV mas através das redes sociais. Resultado: na maioria dos casos saiu vencedor quem melhor usou mais essa tecnologia.

Em Campina
Na Paraíba, particularmente em Campina Grande, a espetacularização da política remonta há décadas, através das famílias de plantão. São elas que monopolizam o voto popular por várias vias. Seja pela compra de votos propriamente dita, a exemplo da distribuição de material de construção, cestas básicas e outras necessidades básicas até a “oferta” de empregos públicos, com o intuito de assegurar o voto do cidadão desavisado.

Neste sentido o que se vê há anos em Campina Grande é apenas a troca de poder por parte das famílias tradicionais que seguem as mesmas regras políticas espúrias de seus ancestrais. Sintetizando, nunca houve na cidade um prefeito que não saísse das hostes dos grupos existentes que no frigir dos ovos só procuram se locupletarem política e economicamente, deixando a população a ver navios. É hora de mudar.

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