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Reajuste das passagens: falta clareza, sobra politicagem

Artur Almeida

O ano termina com mais uma má notícia para o trabalhador em Campina Grande, sobretudo para a massa que depende do transporte coletivo. Vem aí mais um reajuste do preço das passagens. O Conselho Municipal de Transporte aprovou o reajuste que, se homologado pelo poder executivo, fará com que as passagens subam de R$ 1,95 para R$ 2,20.

Um fato a ser registrado é que o vereador que representa a Câmara Municipal no conselho, e que é líder da bancada do prefeito no legislativo, votou a favor do reajuste maior, e contra, portanto, às duas outras propostas apresentadas, a primeira do representante da Associação dos Aposentados, que sugeriu R$ 2,05, e a segunda do representante da UCE’s, R$ 2,10.

Assim como acontece com a energia elétrica, o gás, o telefone e tudo mais, esses aumentos são, via de regra, inevitáveis, é verdade. Mas, não podem ser pautados apenas pelas planilhas apresentadas pelas empresas de ônibus e menos ainda pelo joguete político que é promovido todos os anos, a fim de exaltar a figura do prefeito.

É sempre a mesma história. O conselho vota e aprova um reajuste expressivo, que acaba sendo vetado pelo chefe do poder executivo, que homologa um valor menor e se transforma num herói, uma espécie de líder corajoso que se opõe aos interesses dos “poderosos” para defender o pobre, o trabalhador. Puro jogo de cena. E não é de hoje.

É preciso que se estabeleça critérios claros e objetivos para definição destes reajustes em Campina Grande, e esse debate tem que passar necessariamente pela Câmara Municipal, com realização de sessões especiais e tribunas livres, esmiuçando cada aspecto relevante. Tudo às claras, bem ao contrário do que ocorre atualmente. E isso sem perder de vista a necessidade de se exigir a melhoria do sistema.

30 de dez. de 2011

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Política não pode ser a arte do vale tudo

Artur Almeida

Quando a política é tratada como uma arte do vale tudo, há algo muito errado. Se o objetivo da política é servir à sociedade, que se faz representar no poder por meio de agentes eleitos, e se, sendo assim, o interesse popular deve ser o norte destes agentes políticos, por que, na prática, a política se transforma num jogo sem regras, carregado de golpes baixos, onde tudo é visto como aceitável desde que assegure a vitória?

A conclusão é evidente. Quem pratica o vale tudo na política não pode ter em mente o interesse geral da sociedade. Na verdade, essa pessoa age única e exclusivamente motivada por um projeto de poder – pessoal, familiar, ou de um grupo. E, para tais pessoas, o poder sempre será visto como um instrumento de satisfação das próprias vontades, ficando as demandas públicas relegadas ao segundo plano (e olhe lá).

Por conta da generalização dessas práticas e posturas, os brasileiros têm se desinteressado da política, ignorando debates importantes, votando sem estabelecer critérios, achando que tudo o que acontece, mesmo as coisas mais absurdas, são males inevitáveis do sistema. E essa apatia apenas favorece a perpetuação da má política.

Nada mudará neste segmento sem que haja uma profunda e efetiva mudança no eleitor. A transformação ética, moral e qualitativa da nossa política não acontecerá sem que, primeiro, haja uma mudança radical na postura, no entendimento e no comportamento dos eleitores. Em suma, não serão os políticos os agentes transformadores da política. Esse agente é o povo.

E cabe ao povo, como agente transformador, dar uma resposta definitiva a quem faz da política a arte do vale tudo, rechaçando tais práticas lamentáveis, afastando do poder quem não observa limites porque briga com unhas e dentes pela sobrevivência no poder.

28 de dez. de 2011

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Feliz Natal

Artur Almeida

No Natal, comemoramos o nascimento de Jesus Cristo, o Deus que se fez homem e habitou entre nós, num gesto inefável de amor que a mente humana não é capaz de compreender em sua plenitude. Por isso mesmo, Natal é tempo de renovação das esperanças, de reencontro com a fé, de reflexão sobre nossa vida, nossos atos e nossos valores.

É, também, tempo de congraçamento, tempo da reunião das famílias, tempo de exercer o perdão. Deveria ser assim o ano todo, é verdade, mas, também é verdade que o ambiente natalino desperta em nós sentimentos e percepções que, infelizmente, no correr frenético do ano costumamos ignorar, não dar espaço.

Assim, podemos dizer que o Natal é, também, tempo de oportunidade, uma oportunidade que nós mesmos nos concedemos de reavaliar a vida e seus principais valores. Que seja feliz o seu Natal, que seja, sobretudo, cheio de amor e de paz. Que as suas esperanças se renovem, na certeza de que acima de nós, acima de todas as nossas adversidades, há um poder maior e um inexplicável amor.

Feliz Natal!

24 de dez. de 2011

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Gestão pública deveria buscar potencializar aquecimento da economia no fim de ano

Artur Almeida

Com a chegada do fim de ano, paira no ar muito mais do que apenas o espírito natalino. Dezembro é um mês de aquecimento das vendas, um mês em que as pessoas recebem o décimo terceiro salário e sentem prazer em separar parte deste dinheirinho a mais para presentear parentes e amigos, realizar confraternizações, comemorar o ano que se encerra.

Esse movimento ajuda a incrementar a receita do comércio, setor essencial para uma cidade como Campina Grande. E quanto mais o comércio se aquece, mais contrata, mais comissões são pagas aos comerciários, mais os comerciantes podem reinvestir e, ainda, os próprios comerciários também consomem mais, de modo que, como pode se perceber, fica estabelecido um círculo virtuoso extremamente benéfico para a cidade.

Pela posição geográfica e econômica que ocupa, Campina é naturalmente um centro de convergência de paraibanos de centenas de cidades vizinhas. Percebendo tudo isso, é tempo da gestão municipal entender que o período do Natal não deve ser visto apenas como um momento em que a cidade deva ficar “bonitinha”, com a instalação de luzes em alguns pontos do Centro e de presépios em prédios públicos.

O poder público deveria – e deve – buscar tornar a cidade ainda mais atraente nesse período, estudando e estabelecendo uma agenda cultural que aumente o fluxo de pessoas que nos visitam, o que certamente favorecerá um aquecimento ainda maior das vendas, chegando esse incremento aos bares, restaurantes, hotéis e ao setor de serviços como um todo.

Como isso pode ser feito, é assunto para outro momento. Vale lembrar que a estrutura do governo municipal conta com uma Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A pasta tem algum projeto nesse sentido? No mais, o essencial é perceber que quem governa Campina Grande precisa entender que esta cidade cumpre um papel de protagonista no cenário estadual – e mesmo além.

Logo, Campina Grande deve pautar-se sempre por uma postura criativa e pioneira, o que aquecerá mais nossa economia, beneficiando os campinenses como um todo.

22 de dez. de 2011

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Não importa quem é o “pai”

Artur Almeida

A mesquinharia e a pequenez da nossa política tornam-se ainda mais evidentes quando grupos e partidos que se alternam no poder disputam abertamente a paternidade de obras e ações realizadas com recursos públicos, tudo para tentar tirar algum proveito eleitoreiro da realização. É um comportamento vergonhoso, pequeno, medíocre, indigno e quem assim age (e não são poucos) faz por merecer também cada um destes adjetivos.

Certas práticas são comuns em quase todo o Brasil, sendo mais freqüentes e grosseiras em regiões onde a política é mais paroquiana, mais personalista, e as chamadas oligarquias partidárias e familiares dominam com mais força. Como registramos em uma postagem passada, nestes casos, as obras públicas são anunciadas como “presentes” dos governantes, ou seja, praticamente um favor que fazem ao povo, um gesto de suposta bondade que procura fazer das pessoas (os eleitores) eternos devedores.

Estando em pleno século XXI, soa impressionante que esquemas deste tipo e mentalidades políticas tão retrógradas ainda ocupem tanto espaço. Mas, infelizmente, a velha política ainda é bastante presente em alguns pontos do Brasil, sobretudo cá por estes lados do Nordeste. Entretanto, acreditamos que essa realidade pode mudar. Mais que isso, estamos certos de que esse é um quadro que tem que mudar.

E mudará com a transformação da percepção do eleitor, cada vez mais amadurecido e escolado em relação a essa política atrasada; mudará com a disponibilidade de novos agentes políticos, que sejam novos de verdade (não apenas na aparência, mas em gestos e atos), que discutam projetos de governo e, uma vez no poder, realizem gestões republicanas, ao invés de fomentarem projetos de poder. Sim, isso é possível!

Uma nova mentalidade política leva governos a trabalharem integrados, a despeito das eventuais diferenças partidárias e/ou ideológicas. E, neste panorama, não há porque brigar pela paternidade de obras e realizações que, na verdade, são custeadas pelo povo, desde o mais humilde cidadão, que sustenta o país através da onipresente carga tributária. Ou seja, se as ações públicas têm um pai, esse pai é o povo.

19 de dez. de 2011

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Campinenses estão expostos a ‘sentimentos de humor ou rancor dos agentes de trânsito’

Artur Almeida

Embora haja tantos outros temas a tratarmos, voltamos ao assunto trânsito e indústria da multa. Acontece que, após nossos comentários sobre essa nefasta indústria, muitas pessoas nos relataram casos em que motoristas teriam sido multados por terem problemas de ordem pessoal com agentes da STTP. As autuações seriam, nesse caso, um ato de retaliação da parte dos agentes, que usariam o cargo para, assim, se vingarem de desafetos.

Certamente, a maioria dos agentes de trânsito da nossa cidade é de pessoas de bem, que exercem sua atividade com zelo e jamais se passariam para esse tipo de papel. Mesmo assim, em qualquer profissão há gente problemática. Além disso, todo mundo em Campina conhece histórias desse tipo. E, tem mais. Recentemente, um vereador de oposição afirmou que estava sendo vítima de perseguição política engendrada através de uma série de multas.

Mesmo que tudo o que se fala sobre esse tema fosse inverdade – o que não nos parece provável – a verdade é que, da forma como as multas são aplicadas hoje em Campina, esse tipo de retaliação pode facilmente ser posta em prática. Conforme registramos em outro artigo, a justiça partilha dessa mesma preocupação. No texto do dia 26 de outubro, registramos fala de um juiz que, na sentença em que anulou uma multa e condenou a STTP a indenizar o motorista por danos morais, alertou sobre os “anônimos agentes de trânsito”.

O comentário do magistrado foi repercutido pelo Jornal da Paraíba. “A lei pretende evitar que os motoristas ‘fiquem expostos aos sentimentos de humor ou rancor dos agentes de trânsito’, mas a STTP os ‘identifica’ com códigos e rubricas, como se estes fossem ‘agentes secretos’”. Uma exposição claríssima!

Por que, no entanto, esse cuidado não é observado? Por que a gestão municipal se recusa a adotar medidas necessárias à devida proteção do cidadão? Nenhum de nós será favorável a indulgência para quem dirigir irresponsavelmente, mas, da mesma forma, não se pode conceber que os cidadãos fiquem sujeitos a qualquer retaliação por desavenças de ordem pessoal ou rivalidades políticas. E hoje, infelizmente, estamos todos sujeitos a isso.

16 de dez. de 2011

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Trânsito em Campina: ameaça de colapso e necessidade de urgente intervenção

Artur Almeida

Com a chegada das festividades de fim e o conseqüente aquecimento das vendas, um grave problema da nossa cidade torna-se ainda mais perceptível e atormentador: o trânsito. Durante boa parte do dia, sobretudo no centro de Campina Grande, trafegar é um desafio e a certeza de boa dose de estresse. Estacionar, então, é quase uma missão impossível, ainda mais na Zona Azul.

Os motoristas podem perceber que o grande problema não é apenas o aumento exponencial do número de veículos, que tentam ocupar ao mesmo tempo as mesmas ruas de décadas atrás. O pior de tudo é a falta de controle, a falta de ordenamento do tráfego. Muita gente para em fila dupla, dirige irresponsavelmente, ignora as normas mais elementares do trânsito e não há qualquer controle mais rígido.

É possível percorrer inteiramente vias importantes da cidade sem se deparar com um único agente de trânsito. E é incomum ver algum deles ordenando o fluxo. Conforme já denunciamos em outras ocasiões – e os campinenses conhecem bem essa realidade – o foco do trabalho de fiscalização do trânsito em nossa cidade está nas multas. Lamentavelmente.

Falta uma gerência mais eficaz na Rainha da Borborema. E isso vem de longe, não é falha apenas da gestão atual. O trânsito em Campina parece ser relegado à própria sorte, com a interferência do município apenas em ações pontuais, isoladas e de pequena repercussão. Campina Grande carece urgentemente de um trabalho científico, realizado – evidentemente – por especialistas na área, e que desenvolva um amplo programa de planejamento e ajustes.

Ou isso é feito urgentemente ou o trânsito de Campina Grande caminhará para um colapso inevitável nos próximos anos – e quem dirige sabe que não há, nessa assertiva, qualquer exagero. À gestão pública cabe dar respostas, procurar saídas, e não apontar desculpas e fazer remendos, empurrando o problema para administrações futuras. E o trânsito é um dos grandes desafios da atualidade para a gestão campinense.

15 de dez. de 2011

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Em Campina, é hora de prestar atenção no lixo

Artur Almeida

O ano de 2012 promete. Após sete anos, a atual gestão parece ter resolvido por em dia, no trecho final do mandato, várias ações e compromissos de campanha: VLT, fim do lixão, construção do centro administrativo. Nossa torcida – e a de todos os campinenses – é no sentido de que tudo dê certo, que esses projetos saiam realmente do papel, e que sejam executados dentro do prazo devido e (detalhe importantíssimo) sem ter a qualidade comprometida pela pressa.

É preciso prestar atenção nessa questão do lixo. Há muito a cidade empurra esse grave problema, deixando a solução sempre para amanhã. O atual prefeito se comprometeu a resolver, chegando a declarar em debate com empresários na Associação Comercial durante a campanha de 2008 que os recursos já estavam à mão para por termo ao depósito de lixo na Alça Sudoeste.

A solução, contudo, tardou, e teve um possível desfecho marcado para o início do ano eleitoral de 2012. A partir do dia 02, segundo a prefeitura, o lixão será desativado e os resíduos coletados em Campina Grande serão despejados no aterro sanitário da vizinha cidade de Puxinanã. Após o anúncio, o vereador Fernando Carvalho (ex-líder do prefeito na Câmara) criticou a decisão. Ele disse que foi construído um aterro em Campina por uma empresa, e que a opção por Puxinanã sairá mais cara.

Além disso, o aterro na cidade vizinha está envolvido em polêmicas e controvérsias ambientais, o que deixa no ar a incerteza sobre o futuro da destinação dos resíduos sólidos produzidos em Campina.

Também para a primeira semana de 2012, a prefeitura planeja lançar um milionário edital de limpeza pública. No valor de quase R$ 40 milhões, o contrato tem previsão de validade de 30 meses, o equivalente a dois anos e meio. Além do custo elevado, o detalhe que chama a atenção é que o mandato do atual prefeito acaba em 31/12/2012. Ou seja, o contrato a ser licitado valerá ainda por um ano e meio dentro do próximo governo.

Celebrar um contrato que vigorará até quase a metade do mandato de uma futura gestão é algo que deve ser fortemente questionado, criticado e rechaçado.

14 de dez. de 2011

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O desafio da sucessão municipal e as perspectivas para o futuro em Campina Grande

Artur Almeida

Uma reportagem do Diário da Borborema de domingo, assinada pelo colunista Lenildo Ferreira, trouxe uma revelação interessante: das quinze eleições diretas para prefeito de Campina Grande até hoje, em apenas três o mandatário conseguiu eleger seu sucessor. Conforme a reportagem, “só é possível apontar de fato três casos em que o prefeito conseguiu fazer seu sucessor: 01) Elpídio de Almeida elegendo Plínio Lemos em 1951; 02) Ronaldo Cunha Lima elegendo Cássio Cunha Lima em 1988; 03) Cássio elegendo Félix Araújo Filho em 1992”.

O texto lembra que “ter a máquina na mão ajuda, mas a história confirma que isso apenas não basta. Até porque se, por um lado, no papel de cabo eleitoral de luxo, o gestor usa os acertos da sua administração para promover o apadrinhado, por outro o desgaste e os desacertos naturais a qualquer governo – o que varia, claro, é o grau – acabam sendo um fator contrário”.

Realmente, se o eleitor campinense fizer um balanço de falhas e acertos não somente da atual gestão, mas das anteriores, vai perceber que, removida a vasta propaganda que há muito exibe uma Campina Grande bem diferente daquela que os campinenses conhecem na realidade do dia-a-dia, a cidade avançou bem menos do que deveria ter avançado. Em suma, embora cada um dos últimos governos tenham dado a sua contribuição, o balanço geral é negativo.

Uma das principais razões para isso é que mal os grupos que se alternam no poder chegam ao governo, já estão planejando a eleição seguinte. Não há um projeto administrativo que aponte perspectivas e imprima uma gestão focada no desenvolvimento da cidade a médio e longo prazo. O que prepondera, infelizmente, são os projetos de poder e, dentro deste prisma, a Rainha da Borborema também passa a ser tratada como um trampolim político.

Não dá para negar a influência dos grupos tradicionais, mas, há uma luz no fim do túnel: o eleitor campinense se mostra cada dia mais cansado desse rodízio de iguais no comando do executivo, essa mudança que não muda, porque não se muda sendo (e agindo) igual. E 2012 desponta como um ano de esperança, um ano em que nosso povo poderá renegar efetivamente as imposições de uns poucos que se julgam donos da vontade e da liberdade da nossa gente.

12 de dez. de 2011

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Governo Federal usa rolo compressor para evitar compromisso percentual com a Saúde

Artur Almeida

Lamentavelmente, esta noite o Senado Federal aprovou a Emenda Constitucional Número 29, mas rejeitou, por 45 votos a 26, a emenda que determinava que o Governo Federal teria que investir o mínimo de 10% das suas receitas na Saúde. Em detrimento ao interesse geral da população, o rolo compressor do Palácio do Planalto passou sobre o Senado e conseguiu impor, mais uma vez, a força da vontade da presidência.

Tentando apontar alguma justificativa para o ato, o governo, através de parlamentares da sua base, alegou que, sem a CPMF, é impossível estabelecer o piso proposto. Outros lembraram, inclusive, da crise internacional. Crise que, como se percebe, passou a ser justificativa para tudo, menos para o que seria óbvio: uma necessária enxugada na máquina, desonerando os sofridos cofres públicos.

Mas, se crise pede contenção, essa conta terá que continuar sendo paga pelo povo, sobretudo os mais simples, mesmo na hora difícil que é a procura por um atendimento médico incerto. O paradoxo é ainda maior quando lembramos que os estados têm um piso de investimentos na saúde, que é de 12%, e os municípios também, 15%. Por que somente o Governo Federal não tem essa obrigação percentual fixa?

Se o Governo tivesse uma política de juros e gastos adequados, seguramente teríamos recursos para saúde. A União tem uma fome insaciável por recursos. É com ela que fica a fatia maior do bolo da arrecadação e, ainda assim, na hora de repassar uma parte aos estados e municípios, mostra-se mesquinha e egoísta. Já dissemos outrora, aqui mesmo neste espaço, que o Brasil é um país que gasta muito e gasta mal.

É esta uma das principais razões para a veemência da ação do Palácio do Planalto contra o trecho da Emenda 29 que destinava os 10% para a Saúde Pública. Se a matéria tivesse sido aprovada, o governo teria que ser um pouco mais parcimonioso, diminuindo um pouquinho os maus gastos, e isso, está mais que evidente, não interessa. Resta-nos lamentar profundamente a postura do Senado e buscar identificar os senadores (representantes do povo) que votaram contra a fixação dos 10% para a Saúde.

7 de dez. de 2011

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Saúde: funcionar é preciso

Artur Almeida

Há grande disse-me-disse em relação à qualidade da saúde pública em Campina Grande. O povo critica, o Ministério Público aponta problemas sérios, a gestão municipal rasga elogios e diz que tudo vai às mil maravilhas. Quem está com a verdade? Evidentemente, é quem sente todos os dias na própria pele as agruras do atendimento público ineficaz numa hora difícil, de dor e fragilidade.

No entanto, não nos cabe nem tampouco nos interessa encontrar culpados ou responsáveis neste momento, mas sim propor o debate franco e amplo e procurar apontar perspectivas para um problema que atinge e aflige milhares de campinenses. Um município como Campina Grande, que tem gestão plena, incorpora um grande rol de responsabilidades. Uma delas, gerir o Programa de Saúde da Família.

Neste quesito, mais que se preocupar unicamente com a quantidade de Unidades Básicas de Saúde da Família, a gestão municipal deve empenhar-se em otimizar a qualidade deste atendimento e destes equipamentos. O fundamental é que as pessoas não percam sua viagem ao se deslocarem até uma destas unidades. Elas precisam ser atendidas, e atendidas bem.

O principal, um aspecto que notoriamente é o maior gargalo da nossa saúde municipal, é fazer com que os exames sejam efetivamente realizados, e que o prazo de espera para realização destes procedimentos seja encurtado. Atualmente – e isso vem de longe – as pessoas marcam uma consulta, esperam dias para serem atendidas, o médico pede um exame, que é agendado para semanas depois e, frequentemente, no dia marcado o exame não é realizado.

Com isso, é comum que as pessoas recebam os resultados dos procedimentos depois de tanto tempo que, quando voltam ao médico, os exames não mais têm validade. Isso precisa mudar urgentemente. Primeiro, porque a doença não espera, e enquanto o paciente vai de um lado para outro, ela avança; Segundo porque é inadmissível que seres humanos enfermos façam essa peregrinação toda inutilmente; Terceiro porque é um desperdício de recursos.

É preciso que, ao invés de confrontar e tentar desmentir as queixas de cidadãos humildes que buscam dar eco à sua justa indignação, o poder público engendre todos os esforços possíveis para fazer com que a saúde funcione.

6 de dez. de 2011

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A praça é nossa. Mas, cadê a praça?

Artur Almeida

Quando minha geração era criança, qualquer terreno baldio (e eram muitos na cidade) servia perfeitamente de campo de futebol, quaisquer duas pedras davam boas traves. Se não fosse num terreno baldio, podia ser em qualquer rua com pouco tráfego – o que era, também, fácil de achar. A rua servia para jogar pião, bola de gude, esconde-esconde, além de amarelinha e queimada – estas duas últimas preferidas pelas meninas.

Enquanto a gurizada brincava, pais e mães, nas horas vagas, conversavam com vizinhos no portão ou na calçada. O sossego daqueles dias não podiam se comparar com os tempos amedrontados de hoje, em que as crianças precisam crescer “presas” dentro de casa, no máximo brincando nos parquinhos dos condomínios, com a supervisão cuidadosa dos pais.

Dentro do contexto hodierno, onde os espaços de lazer estão cada vez mais reduzidos pela expansão imobiliária, pela violência e o trânsito, as praças têm um papel de extrema relevância no cenário urbano. Elas não são apenas cenários que melhoram a paisagem cada vez mais cinzenta dos bairros. As praças são uma necessidade como áreas de lazer para crianças e adultos, palcos culturais, espaço para a prática de exercícios e para a interação entre as pessoas.

São, também, áreas verdes que ajudam os bairros a respirar melhor e acolhem os pássaros e outros pequenos espécimes. Campina Grande precisa de mais praças. Todos os bairros devem ter praças – os maiores, inclusive, mais de uma unidade, claro. Esse tipo de equipamento precisa fazer parte do planejamento urbano, que não deve desconsiderar a qualidade de vida dos cidadãos.

Temos pouquíssimas praças, sobretudo fora da área central, e nos bairros da periferia as poucas que existem sofrem – e isso não é de hoje – com o descuido e a ocupação indevida, muitas vezes invadidas por lanchonetes e barzinhos improvisados. Isso precisa mudar.

É necessária a criação de novas praças, a reforma das que já existem, e a implementação de uma fiscalização rígida para que se evite a ação de marginais e vândalos, além da ocupação indevida. Isso será possível com a parceria entre o Município e o Estado na Segurança Pública, conforme proposto em textos anteriores. A praça é nossa, é dos nossos filhos, é do povo.

1 de dez. de 2011

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Uma canção de saudade para Robério

Artur Almeida

A notícia da tão extemporânea morte de Paulo Robério Alves Barros, conhecido em toda Campina Grande e mesmo fora dela como “Robério Emplacamentos”, nome da sua empresa, deixou-nos perplexos e profundamente consternados. A primeira reação é duvidar; a segunda, ser tomado de grande tristeza; a terceira, lamentar, lamentar muito; A quarta, que nos acompanhará doravante, é a saudade.

Conhecia Robério há um bom tempo e, embora não tivéssemos uma convivência assídua – até mesmo pelas nossas atividades – ele era uma daquelas figuras por quem a gente alimenta uma simpatia natural, uma empatia espontânea. Encontramo-nos duas vezes durante viagens, ocasiões extremamente agradáveis, momentos que serviram para fixar a imagem que sempre levei e que para sempre levarei de Robério.

Diante de tão grande perda, exaltar a qualidade de quem nos deixa, sobretudo de forma tão inesperada, não é incorrer num gesto lugar-comum. É, na verdade, fazer aquilo que nos resta, que é reconhecer e exaltar uma memória digna de tributo. No seu ramo, Robério fez do próprio nome um emblema de serviço de qualidade e credibilidade, tornando-se referência na região. E, o mais importante de tudo: além de um empresário respeitado e bem-sucedido, era uma figura humana muito querida.

Não pude ir ao sepultamento de Robério. Mas, estive em seu velório, onde tantos e tantos amigos choravam, ao lado de uma família inconformada diante de tamanha dor, uma partida tão fora de hora, tão inacreditável, tão triste, que nos deixa tantas saudades. A estes entes que ora amargam tamanha dor, resta-nos direcionar aos céus uma oração, um pedido para que nosso Senhor e Deus traga o conforto, na esperança da vida eterna.

E todos nós, que aqui ficamos, seguindo nossa jornada de tempo incerto, juntamos nossas vozes à do poeta, repetindo o lamento: “É tão estranho / Os bons morrem jovens / Assim parece ser / Quando me lembro de você / Que acabou indo embora / Cedo demais”. Para Robério, uma canção de saudade.

29 de nov. de 2011

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Crescimento da violência: o que a gestão municipal pode fazer?

Artur Almeida

Se o combate à criminalidade não é atribuição constitucional da gestão municipal, mas, por outro lado, o crescimento da violência impõe a urgente necessidade de integração e união de forças entre todas as esferas públicas, o que pode ser feito? Uma das principais ações que a prefeitura de uma cidade pode implementar é disponibilizar-se a uma efetiva parceria com o estado, através da Secretaria de Segurança Pública, das polícias Civil e Militar, e dos órgãos que atuam no combate à violência e às drogas.

Essa parceria pode, inclusive, favorecer a instalação de unidades de Polícia Comunitária, um importante mecanismo de combate ao crime. A gestão municipal contribuiria com a estrutura e outros meios possíveis, além de atuar politicamente junto ao governo estadual para a otimização das ações e ampliação da presença da Polícia Comunitária nos bairros.

Outro ponto relevante é a organização devida da Guarda Municipal, que não deve ser instituída para que os agentes sejam transformados em porteiros, nem muito menos em força repressora contra ambulantes ou moradores de rua. A Guarda pode e deve garantir a segurança em logradouros públicos, inclusive áreas de lazer e pontos de freqüente ação de marginais. Mas, dentro das suas atribuições, precisa ter uma atuação mais abrangente, objetivando coibir, por exemplo, os “pequenos crimes”.

Para gerenciar a Guarda Municipal e coordenar ações integradas com o Estado, uma cidade do porte de Campina Grande precisa de uma Secretaria Municipal da Segurança. Além da ação integrada com a gestão estadual (seja o governo um aliado ou adversário partidário, não importa), a pasta também implementaria ações preventivas em parceria com outras secretarias municipais, como Educação, Assistência Social e Saúde.

Trabalhando em conjunto, seria possível acompanhar ex-apenados e os chamados “albergados”, grupos-alvo de boa parte dos casos de homicídios da cidade. A prefeitura também poderia inserir em contrato com construtoras e empreiteiras a exigência de contratação de determinado percentual de “albergados”, além de firmar convênios para capacitação de apenados, em cursos que formem pedreiros, marceneiros, serralheiros... ou seja, profissionais capacitados a exercer um ofício que tem grande demanda.

Todas essas ações têm um custo, mas nada que inviabilize sua execução. É preciso ter vontade política, disposição, competência e saber usar devidamente os recursos públicos. Até porque o custo maior é a tragédia de uma escalada cada vez mais acelerada da violência, aterrorizando a população e ceifando a vida de tantos campinenses.

25 de nov. de 2011

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Combate à violência: esferas do poder público precisam ser parceiras

Artur Almeida

Os jornais trouxeram a informação. A Paraíba aparece entre os primeiros estados do Brasil num quesito profundamente lamentável. Somos, proporcionalmente, o segundo estado mais violento, segundo dados divulgados pela organização não governamental Fórum Brasileiro de Segurança Pública, numa parceria com o Ministério da Justiça. De acordo com a ONG, a Paraíba registra a segunda maior taxa de homicídios intencionais do país. Foram 38,2 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes.

Os números foram referentes a 2010. Ainda de acordo com a entidade, a Paraíba ficou atrás apenas de Alagoas, cuja taxa é de 68,2 por grupo de 100 mil habitantes. No nosso estado, os números de homicídios saltaram de 1.176 em 2009 para 1.438 em 2010, ou seja, 262 vidas a mais ceifadas pela violência. Esse banho de sangue se reflete em todo o estado, inclusive Campina Grande, onde as taxas de homicídios aumentam ano após ano.

O assunto é muito sério e grave para que alguma esfera do poder público simplesmente lave as mãos, afirmando não ser da sua alçada lidar com o problema. A criminalidade crescente é uma das maiores aflições dos cidadãos, e a gestão pública não pode nem deve ignorar essa realidade. Vivemos um clima de guerra, em que o crime se organiza, devendo os governos se unirem e juntarem forças para o combate mais eficiente a este mal.

Tanto mais lamentável é a exploração política desta miséria. Logo após a divulgação dos dados, houve certos agentes partidários que, no afã de uma oposição sem limites ao Governo do Estado, cuidaram logo de detonar críticas contra o governante, e “denunciar” o descaso com a segurança pública... Aquele velho e lamentável discurso do “quanto pior, melhor”. Não cuidaram, porém, de saber que os dados são referentes ao ano passado, quando o governo era outro – aliado dos atuais críticos.

Ignorar e – pior ainda – politizar essa discussão são ações inaceitáveis. É preciso agir. Nesse sentido, o que pode fazer a gestão municipal, que não dispõem de recursos nem de incumbência constitucional que viabilize a busca de subsídios junto ao Governo Federal? A resposta fica para a próxima postagem. Mas, por ora, podemos dizer que só há uma coisa que não pode fazer: é fazer nada.

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A chuva passou, mas os buracos continuam

Artur Almeida

Há alguns meses, quando a crítica em relação à buraqueira que tomava conta da cidade virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, na mídia em geral e nas conversas entre amigos, a gestão municipal, esquivando-se, como de praxe, da responsabilidade, tratou de apontar o culpado pelo problema: as chuvas. E se a culpada pelos buracos era a chuva, a quem reclamar?

Na verdade, tal justificativa nunca colou, até porque os pontos que ficaram mais críticos após o início do inverno já eram, via de regra, áreas problemáticas. Ou seja, as águas só fizeram agravar o problema. E, agora, temos mais uma prova da fragilidade do argumento. As chuvas passaram, mas não são poucos os buracos que continuam infestando as ruas da Rainha da Borborema.

É verdade que alguns buracos já foram remendados, mas os que ainda esperam tratamento formam um índice relevante, a atormentar a vida dos motoristas e motociclistas. A operação tapa-buracos na cidade parece existir desordenadamente e sem planejamento – aliás, planejamento é algo realmente em falta por estas bandas. Pior: em algumas áreas que foram contempladas com a ação, os remendos já estão se desfazendo. É o caso da Avenida Floriano Peixoto, nas imediações do Meninão.

O poder municipal precisa estabelecer um serviço de manutenção de pequeno porte contínuo e ágil. A proliferação dos buracos complica o tráfego, danifica veículos e põe vidas em risco. A demora na resposta ao problema só complica o quadro. O buraco só faz aumentar – literalmente.

Para dar eficiência ao serviço, além de montar equipes ágeis, é preciso criar um canal de comunicação com a população. Hoje, as pessoas não sabem a quem se dirigir para informar a existência de buracos e também duvidam de uma resposta eficiente da prefeitura. (Aliás, essa sensação de não ter a quem reclamar se repete em diversas outras áreas na cidade.)

Ouvir os campinenses e prestar atenção às suas ponderações – inclusive sobre “meros” buracos – é uma iniciativa que deve permear a gestão municipal.

22 de nov. de 2011

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De onde vem a carne consumida em Campina? Uma pergunta e uma resposta que não responde

Artur Almeida

A mais recente resposta da gestão municipal ao problema da origem da carne consumida em Campina Grande foi apontar a existência de um matadouro privado que, segundo declaração de um representante da Vigilância Sanitária ao Diário da Borborema de 01 de maio, ainda carecia de “alguns ajustes na estrutura e a licença ambiental”. A própria matéria lembra que o matadouro citado já havia sofrido interdição (na verdade interdições) por estar fora dos critérios exigidos. A outra resposta aponta o endurecimento da fiscalização aos abatedouros clandestinos.

São medidas importantes, mas a existência de um único abatedouro privado não atende às necessidades de Campina, e isso está patente. Nossa cidade precisa de um equipamento público que, além da dar maior segurança à procedência da carne, ainda gera empregos. A decisão de fechar o matadouro foi, ao nosso ver, um equívoco lamentável que precisa ser corrigido. Defendemos a iniciativa privada e um Estado que interfira menos na economia, mas essa questão específica tem componentes sanitários e sociais que vão além do aspecto econômico. E, mesmo não tendo sido um erro da atual gestão, cabe a quem governa dar as respostas devidas.

Ao invés disso, porém, empurra-se o problema com a barriga e, quando a imprensa questiona, atira-se justificativas e promessas a esmo. Em 2010, após uma ação da Vigilância Sanitária que interditou um abatedouro clandestino no bairro do Monte Santo, um coordenador da Secretaria de Agricultura do Município prometeu que seria firmada “parceira com a iniciativa privada para regulamentar o abate de animais no município”.

Conta trecho de uma matéria da época, mencionando fala do coordenador: “‘Creio que em janeiro as obras desse matadouro já estejam concluídas e possamos enfim emitir a sua autorização de funcionamento’, disse. Ele completou afirmando que a intenção da secretaria é também incluir no orçamento do próximo ano a construção de um abatedouro para animais de pequeno porte”. Isso foi há um ano.

E mais. Esse matadouro citado na fala do coordenador é o mesmo do início deste artigo, mencionado na matéria do Diário da Borborema de maio. Tem mais. É exatamente o mesmo que o prefeito citou durante sua campanha à reeleição, em 2008. Ou seja, pelo menos há mais de três anos a citação desse abatedouro privado vem sendo repetida pela prefeitura como justificativa e resposta para um problema que resolveu ignorar. Assim, a mais recente resposta da gestão municipal ao problema é também a sua mais antiga resposta.

Imagem: Blog Retalhos Históricos de Campina Grande

21 de nov. de 2011

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Uma pergunta incômoda e urgente: de onde vem a carne consumida em Campina Grande?

Artur Almeida

Em um dos debates das eleições 2008, um dos candidatos questionou o prefeito de Campina Grande, que disputava então a reeleição, sobre a origem de carne consumida na cidade, a multiplicação de abatedouros clandestinos e a inexistência de um local apropriado para o abate numa cidade do porte da nossa.

A resposta foi publicada no portal Paraíba1 em 26/09/2008: “Veneziano disse que este é apenas mais um dos problemas enfrentados pela atual gestão que foram herdados das administrações passadas. Ele disse que enfrentou problemas como saúde, educação e lixão, e o matadouro também foi pauta da atual gestão. Ele disse que a questão do matadouro passa por um plano diretor do meio ambiente, que vai definir políticos e ações públicas para o setor”.

Uma resposta que não respondeu. E, passados mais de três anos, o problema proposto durante o debate também não obteve resposta. A gestão municipal age como se esse problema simplesmente não existisse ou como se não fosse de sua responsabilidade se preocupar com ele e trabalhar para resolvê-lo.

Naquela ocasião, quando terminava seu primeiro mandato, o gestor recorreu ao argumento que mantém até hoje: tudo o que há de bom na cidade é mérito seu, enquanto todos os problemas são culpa das administrações passadas. Fechar o matadouro foi um grande erro, mas cabe a quem governa resolver.

Sendo assim, em maio passado, uma reportagem de capa do Diário da Borborema trouxe de volta a questão, em letras garrafais: “De onde vem a carne que consumimos?” A manchete era alarmante: “Cinquenta matadouros interditados em dois anos”. E o primeiro parágrafo da matéria destrinchava o problema:

“Nas feiras livres ou nos supermercados de Campina Grande, o consumidor procura aliar preço e qualidade do produto. Mas muitas destas mercadorias não apresentam informações suficientes para esclarecer sobre sua origem, como as carnes. O curador do Meio Ambiente de Campina Grande, Eulâmpio Duarte, é enfático ao afirmar que na cidade não existe nenhum matadouro completamente legalizado, ou seja, nenhum deles atende a todas as exigências que garantam o abate de animais de forma adequada no dia a dia”.

Qual foi a resposta da gestão municipal ao problema? Esse será o tema da nossa próxima postagem.

18 de nov. de 2011

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Implantação do VLT não deve continuar ignorada. Mas, agilidade não pode ser sinônimo de pressa

Artur Almeida

Conforme comentamos no texto anterior, Campina Grande tem demanda e necessidade que justificam plenamente a chegada do Veículo Leve sobre Trilhos, e essa implantação não deve continuar sendo retardada. Por que tamanha urgência? Poderíamos apontar como razão suficiente aquilo que comentamos na primeira postagem sobre o tema: a deficiência do transporte público na cidade, e seus efeitos sobre o trânsito.

Os benefícios que esse novo sistema traria/trará para quem depende do transporte público compõem uma justificativa mais que plausível. Além de uma opção a mais para locomoção e de ser mais ágil que outros meios, por possuir sua via própria e exclusiva, o VLT tem capacidade de comportar um número bem maior de passageiros que um coletivo.

No processo de implantação do Metrô do Cariri, no Ceará, foi previsto que o veículo teria dois “carros”, com capacidade de transporte de 96 passageiros sentados e mais de 350 no total – e isso sem virar uma “lata de sardinha”. Já um veículo de quatro carros tem capacidade de transportar 208 passageiros sentados e 766 no total.

Outra razão para se agilizar essa discussão está no crescimento do número de edificações, sobretudo edifícios, fato que acaba reduzindo os espaços disponíveis para implantação do VLT. Quanto mais esperarmos, maior será a necessidade de adequação do projeto e, consequentemente, maior o número de desapropriações a serem realizadas, majorando os custos de instalação do sistema.

Por outro lado, é fundamental evitar que esse processo se dê de forma açodada, pela pressa freqüente aos tempos de pré-campanha que costuma reger, muitas vezes, as decisões dos gestores. É necessário discutir e agilizar as ações necessárias para planejar, definir e instalar o VLT, mas sem ignorar as precauções indispensáveis, como a definição de um percurso que otimize o serviço e a integração com outros meios, assegurando sua viabilidade a médio e longo prazo.

Enfim, como tudo que se refere à coisa pública, deve ser feito com agilidade, nunca com pressa descuidada.

16 de nov. de 2011

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Cartão temporal e Veículo Leve sobre Trilhos: alternativas para Campina Grande

Artur Almeida

Na postagem anterior, comentamos a má qualidade do serviço público de transporte, que causa transtornos à população, estimula o aumento da frota e ajuda a entravar o fluxo do trânsito. Nas últimas décadas, enquanto outras cidades buscavam alternativas para o transporte público, Campina continuou voltada apenas para os ônibus, fazendo um ou outro ajuste, como a compra de novos veículos para a frota urbana e a implantação de um terminal de integração – que, desafiando até a matemática, o poder municipal insiste em contar como sendo dois.

Poderia ter feito mais, se houvesse vontade política para isso. Nossa cidade, a exemplo do que já acontece em tantas outras, já deveria contar com o sistema de integração por meio do cartão temporal, que tem uma série de vantagens, já que não se prende a um ponto fixo.

Vejamos um exemplo. Hoje, alguém que mora no bairro de Bodocongó e precisa ir ao Hospital da Fap ou ao campus da UEPB tem somente duas alternativas: ou vai a pé até às margens do Açude de Bodocongó para pegar o ônibus, ou pega um ônibus para o terminal de integração, e de lá toma outro para chegar, finalmente, ao seu destino. Como se diz popularmente, é uma contramão.

Há, ainda, aquelas linhas que não chegam ao terminal. Com o cartão, é possível integrar, de forma muito mais simples, um maior número de linhas, além de diminuir o fluxo de ônibus no entorno do terminal, uma área com trânsito conturbado. Por outro lado, é preciso exigir das empresas que exploram a concessão qualidade na prestação do serviço, com cumprimento dos horários, aumento mais substancial da frota nos horários de pico e punição exemplar a funcionários que desrespeitarem idosos e deficientes.

Além disso, é necessário trazer para a cidade o Veículo Leve sobre Trilhos. Depois de tanto tempo, enfim começamos a ouvir falar sobre a possibilidade do VLT ser implantado em Campina. Mas, esse assunto não pode ficar restrito a discursos de ano pré-eleitoral. Nossa cidade tem demanda e necessidade que justificam a chegada do VLT, e essa implantação não deve continuar sendo retardada.

Na próxima postagem falaremos mais sobre o Veículo Leve sobre Trilhos e por que esse sistema precisa chegar sem maiores atrasos a Campina Grande.

14 de nov. de 2011

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Transporte público de má qualidade atormenta população e contribui para o caos no trânsito

Artur Almeida

A má qualidade do transporte público no Brasil torna a aquisição de uma motocicleta ou automóvel uma meta comum a todo trabalhador. Afinal de contas, quem agüenta ter que esperar por um coletivo que frequentemente atrasa e que sempre está apertado como uma lata de sardinha nos horários de pico? Isso além dos já corriqueiros casos de assaltados dentro dos ônibus.

As pessoas acabam tendo que acordar mais cedo do que deveriam, descansando menos, já saindo de suas casas estressadas e tendo que enfrentar um transtorno cotidiano inaceitável. Na volta, após um dia puxado de trabalho, a tortura se repete. Quem pode, “foge”, compra seu carrinho ou uma moto. Com isso, o transporte público ineficiente contribui substancialmente para o aumento do caos no trânsito, com o crescimento exponencial do número de veículos em circulação todos os anos.

Os engarrafamentos vão ficando cada vez mais freqüentes e maiores, o tráfego mais lento e achar uma vaga para estacionar vai virando um jogo de sorte. No ano passado, um dos jornais da cidade mostrou que é mais fácil passar num vestibular concorrido que encontrar uma vaga disponível na Zona Azul.

Estabelece-se, então, um círculo vicioso crescente: os ônibus não atendem a necessidade da população, a quantidade de veículos na rua se multiplica vertiginosamente, carros e ônibus trafegam lentamente, não se consegue estacionar, as motos (mais baratas e de baixo custo de manutenção) invadem cada palmo das ruas, aumentando o número de acidentes graves e de mortes... Em resumo, caminha-se para o caos.

Todos os especialistas estão de acordo: O remédio mais eficaz para amenizar esse processo caótico é, com certeza, a melhoria da qualidade do transporte público. Nas próximas postagens, trataremos algumas das opções para uma cidade do porte de Campina Grande.

No entanto, é preciso destacar a indiferença da gestão pública municipal em relação ao transporte público. As queixas da população são abundantes, sobretudo em relação ao atraso dos coletivos, à superlotação e ao mau atendimento a idosos e deficientes. Boa parte dos bairros mais pobres não são cortados por linhas de ônibus. Ainda assim, as empresas minimizam as reclamações, e a prefeitura ignora o problema, apesar de o sistema funcionar por concessão pública.

Logo, o caos tem início na base do sistema, o serviço de transporte público, que precisa melhorar. E muito. Voltaremos ao assunto.

10 de nov. de 2011

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O que tem sido feito para garantir a instalação do porto seco em CG? Vamos entrar nessa briga?

Artur Almeida

A localização privilegiada de Campina Grande teve papel fundamental em sua gênese e nos primeiros passos do seu desenvolvimento. Hoje, a cidade apresenta diversas outras qualidades relevantes para a atração de investimentos, mas, para a economia, o aspecto localização continua tendo considerável importância. Assim, é preciso entender, potencializar e utilizar essa qualidade como um considerável argumento a mais no esforço cabido à gestão pública para atrair investimentos.

Conforme comentado na postagem anterior, diversos municípios, sobretudo do Nordeste, estão na briga pela implantação de um porto seco. Em maio, o governador do estado do Ceará, Cid Gomes, foi a Nova Jersey, nos Estados Unidos, para conhecer o Porto A.P. Maersk (APM Terminals), considerado um dos maiores portos secos do mundo. Segundo sua assessoria, o objetivo de Cid era “dar início ao projeto de implantação desse modelo de importação/exportação e de escoamento de produção no interior do Ceará”.

Na viagem, o governador cearense esteve acompanhado do prefeito Clodoveu Arruda, da cidade de Sobral, onde os cearenses esperam instalar a unidade.

E aqui, o que tem sido feito? Qual seria a possibilidade de o chefe do executivo municipal acompanhar o governador em alguma viagem voltada para a atração de um equipamento deste porte para nosso município? Infelizmente, observando a indisposição revelada nos últimos eventos para os quais o prefeito foi convidado, sabemos que as chances são praticamente nulas.

O Governo do Estado já cedeu o terreno e deve se empenhar mais. No entanto, cabe à gestão do município provocar a gestão estadual, ao invés de mostrar-se arredia e indisposta ao trabalho parceiro. O que tem feito, também, nossa representação no Congresso Nacional? E os deputados estaduais de Campina Grande, alguns, inclusive, pré-candidatos a prefeito? Além de uma oposição intransigente contra o governo, há algum movimento em favor do Porto Seco para Campina?

Vamos entrar nessa briga? Se é bom para nossa cidade – e é muito bom – tem que contar com o apoio de todos. Vamos cobrar nossos representantes, mobilizar toda parceria possível. Campina Grande não pode mais ficar no prejuízo por conta de guerrilhas políticas. Já perdemos muito com isso. Vamos à luta!

7 de nov. de 2011

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Porto Seco transformará realidade econômica de Campina. É preciso lutar por essa conquista

Artur Almeida

Em abril, o governador Ricardo Coutinho assinou o decreto que desapropriou o terreno onde deverá ser construído o Porto Seco de Campina Grande, um projeto que, tornando-se realidade, certamente produzirá um grande impacto econômico na cidade e na região. Pode-se dizer, sem nenhum exagero, que implicaria num verdadeiro divisor de águas para a economia campinense.

Para quem não conhece o tema, o porto seco executa praticamente todas as funções de um porto normal. De acordo com a Abepra (Associação Brasileira das Empresas Operadoras de Regimes Aduaneiros), eles “são recintos alfandegados de uso público, situados em zona secundária, nos quais são executadas operações de movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias e de bagagem, sob controle aduaneiro”.

A entidade também relaciona uma série de vantagens do porto seco sobre o porto marítimo. Eis apenas algumas: “Custos operacionais mais baixos; Dispensam a montagem de estruturas logísticas onerosas; Tornam os produtos mais competitivos no mercado internacional pela redução de custos operacionais; Redução no custo de transporte; Autoridades aduaneiras perto do exportador, agilizando a solução de problemas; Maior segurança e garantia na qualidade do produto que será exportado; Agilidade no desembaraço perante a fiscalização, minimizando o prazo de espera”.

Para o município e a região, a grande importância do porto seco está na geração imediata de empregos diretos e indiretos, na atração de investimentos e no aquecimento geral da economia. Para que se tenha uma ideia, O Porto Seco Centro Oeste, localizado em Anápolis (GO) movimentou em 2007 US$ 520 milhões em mercadorias. No ano passado, esse valor foi de cerca de US$ 2,4 bilhões.

Atualmente, são 63 unidades no País. Além disso, vários estados estão na briga pela instalação de portos secos, que dependem de autorização e controle do Governo Federal. Por isso mesmo, Campina Grande precisa despertar para essa batalha, reunindo sua classe política em busca da conquista desse tão importante equipamento. Infelizmente, passada a assinatura da desapropriação do terreno, pouco se fala no assunto.

Voltaremos ao tema na próxima postagem.

3 de nov. de 2011

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Moradores reclamam das más condições da Vila Olímpica Plínio Lemos

Artur Almeida

A reclamação e as imagens vêm de moradores do bairro do José Pinheiro. A Vila Olímpica Plínio Lemos carece de atenção para pequenos problemas que revelam grande descaso. A justificativa para as imagens abaixo poderia ser que a administração municipal não deve ser responsabilizada pela ação de vândalos. Parece uma boa resposta, mas não é bem assim.

Construir e entregar equipamentos são ações importantes. Mas, é preciso garantir a manutenção, do contrário o processo de deterioração acaba até pondo a perder tudo o que foi investido.

E, por falar em investimentos, um parêntese: é curioso perceber o quanto a mídia institucional oferece informações desencontradas sobre quanto é empregado em obras públicas. No caso da Vila Plínio Lemos, uma matéria no portal da PMCG fala em R$ 5 milhões, enquanto outra, na página de campanha do prefeito, informa R$ 6,5 milhões.

Mas, voltando às condições do equipamento, veja a lista de reclamações que moradores que freqüentam o local nos passaram, junto com as imagens: “WC sem as mínimas condições de uso; muro rompido; vidros das janelas quebrados; redes da quadra de futsal rasgadas; pias sem torneiras; falta de bebedouros; brinquedos quebrados; banheiros sem sanitários; fedentina insuportável nos banheiros dos atletas e visitantes; falta de manutenção da cobertura da parte superior das arquibancadas”.

A seguir, algumas imagens feitas pelo líder comunitário Chico Casado.








1 de nov. de 2011

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Yara Lyra, Campina Cresce com Você

Artur Almeida

Nesta terça-feira, Campina Grande ganha mais um ambiente para geração e troca de ideias, sugestões e relatos de experiências. Trata-se do projeto virtual “Campina Cresce com Você”, que vai estar disponível na internet, de iniciativa da incansável professora Yara Macedo Lyra, uma eterna lutadora pelo desenvolvimento da nossa terra, a quem Campina deve todas as honras pelos inestimáveis serviços prestados ao município, principalmente na área da educação.

Atuando como professora da Universidade Federal ou como Diretora do CPUC e mais tarde à frente da Facisa, Yara contribuiu decisivamente na formação educacional de milhares de jovens que hoje brilham em nosso país – ou fora dele, exercendo atividades como engenheiros, médicos, artistas, cientistas, empresários, etc.

Parabenizar e agradecer a Yara Lyra pelo o que tem feito por Campina Grande é pouco. Com esta feliz iniciativa a professora demonstra sua inquietação e se mostra preocupada e interessada em oferecer soluções para a retomada do crescimento da Rainha da Borborema. Com o projeto, Yara chama para si e para os que verdadeiramente amam esta cidade a responsabilidade de encontrar soluções e apontar caminhos para que o município possa se tornar cada vez mais aprazível, oferecendo aos nossos filhos e netos melhores condições de vida e trabalho, voltando a ocupar lugar de destaque nacional pela pujança e capacidade empreendedora do seu povo.

Já se diz que ser ‘Campinense’ é um estado de espírito e é chegado o momento dos filhos de Campina Grande se unirem em torno desse projeto. Campina só é grande porque grande é o seu povo. É hora, portanto, de todos nós abraçarmos esta causa comum, com um compromisso de fazer algo pela cidade-mãe, fazendo dela uma cidade modelo para o Nordeste e para o Brasil.

Campina Grande não pode ser “vendida” apenas como cidade do Maior São João do Mundo. Campina tem educação, tecnologia, centros de pesquisas, excelentes universidades com cursos de qualidade. Ela precisa ser trabalhada como uma cidade dinâmica, com riquezas geradas pelo comércio e indústria; que gera saber a partir das suas universidades.

Yara Macedo Lyra lança o desafio e conclama os campinenses naturais e adotivos para mais esta missão; para que cada um de nós, dentro de nossas áreas de atuação, possamos contribuir com sugestões e ideias, indicando propostas e soluções para fazer de Campina Grande uma cidade sempre grande na economia, na educação, na cultura, no empreendedorismo. Vamos abraçar esta causa.

Parabéns, Yara. Campina Cresce com Você!

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A indústria de multas em Campina Grande e uma reflexão necessária

Artur Almeida

Nossas duas últimas postagens mexeram numa ferida aberta e ardida de Campina Grande: a indústria das multas de trânsito. Como sempre, há aqueles – ligados ao poder – que não gostam nadinha e reagem desequilibradamente porque a crítica provoca a discussão de um sério problema da nossa cidade e, como já dissemos outrora, tentar discutir os problemas de Campina é desagradar profundamente quem não quer e não sabe debater, preferindo atacar, desqualificar.

Quem leu as duas publicações sem as reservas de um interesse pessoal ferido, todavia, sabe que a questão abordada é tema cotidiano dos campinenses, indignados por um trânsito carente de uma gerência mais efetiva e por uma indústria de multas que atormenta a cidade. Ficou claro, também, que não criamos ou distorcemos nada. Pelo contrário. No último texto, trouxemos, inclusive, o testemunho isento e respeitável de uma sentença prolatada por um douto magistrado.

Não adianta brigar com a verdade. Os fatos que temos abordado neste espaço são temas que estão, cotidianamente, na boca do povo. Tentar desqualificar a abordagem destes fatos é, simplesmente, ir contra os campinenses que, ao contrário do que alguns parecem acreditar, não são autômatos manipuláveis por propagandas, influenciáveis por peças publicitárias que mostram uma realidade colorida bem diferente da realidade das ruas.

Reiteramos a sensação popular, já corroborada até pela justiça, da existência de uma indústria de multas no município. Em nenhum momento, porém, direcionamos ataques a governantes nem auxiliares a respeito deste tema, porque as responsabilidades específicas só a justiça poderá apurar – e porque atacar pessoas não faz parte do nosso caráter nem agrega valor algum à discussão.

Todavia, é evidente que os problemas e eventuais distorções que afetam uma cidade estão dentro do campo de atuação (e de responsabilidade) da gestão municipal, que deveria ouvir o reclame popular e provocar a apuração destas queixas, ao invés de se ressentir, desqualificar a discussão e jogar o problema para debaixo do tapete. O problema existe. O povo sabe. E, repitamos, não adianta brigar com a verdade.

28 de out. de 2011

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Indústria de multas no trânsito de Campina Grande tornou-se caso de polícia

Artur Almeida

Em 2008, uma matéria do Jornal da Paraíba revelava que a “Terceira Vara da Fazenda Pública de Campina Grande determinou que a Superintendência Regional de Polícia Civil instaure inquérito policial para investigar a possível existência de uma ‘indústria de multas’ na cidade, emitidas por agentes da Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP)”.

A sentença foi uma resposta a ação impetrada por um comerciante de Juazeirinho que teve seu veículo multado por uma suposta infração de trânsito, apesar de, segundo ele, não ter estado em Campina com seu carro no dia em que a infração teria sido registrada. Conforme a matéria do JP, o comerciante “recorreu à Junta Administrativa de Recursos e Infrações (Jari), apresentando testemunhas que atestaram sua versão, mas, segundo a sentença, teve o recurso negado, ‘sem nenhuma fundamentação’”.

De acordo com a notícia, o juiz Ruy Jander Teixeira da Rocha, ao prolatar a sentença, “determinou a imediata anulação das multas e ainda condenou a STTP ao pagamento de indenização por danos morais ao comerciante, no valor de R$ 4 mil. Em sua decisão, o magistrado afirma que existe uma série de vícios nos Autos de Infração de Trânsito”.

Dois destes vícios são apontados pelo juiz. “Primeiro, ele diz que, apesar do que chama de “anônimos agentes de trânsito” terem informado que abordaram o suposto infrator, não o identificaram, o que, conforme Ruy Jander, fere o artigo 280 do Código de Trânsito. Também menciona a não identificação nominal do agente autuador, que, segundo explica, também é uma exigência do artigo 280 do CTB”.

A matéria ainda relata que, “na sentença, ele (o magistrado) diz que a lei pretende evitar que os motoristas ‘fiquem expostos aos sentimentos de humor ou rancor dos agentes de trânsito’, mas a STTP os ‘identifica’ com códigos e rubricas, como se estes fossem ‘agentes secretos’. Ruy Jander confirmou que este não foi o primeiro caso de multas anuladas por ele porque foi comprovado que o veículo notificado não se encontrava na cidade no momento da suposta infração”.

Trazemos à memória a reportagem acima como evidência de que há muito circulam as denúncias de existência de uma indústria de multas no trânsito de Campina Grande. E, mesmo assim, desde 2008, a previsão de arrecadação da prefeitura com multas só fez crescer, saltando de menos de R$ 3 milhões para quase R$ 4 milhões em 2011. Onde isso vai parar? Quando isso vai parar?

Ainda voltaremos ao assunto.

26 de out. de 2011

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A lucrativa indústria de multas no trânsito de Campina Grande

Artur Almeida

Há muito se fala na existência de uma indústria de multas no trânsito de Campina Grande. Não é só papo de esquina, nem falsa justificativa de motorista irresponsável. Vereadores denunciam, deputados denunciam, magistrados confirmam as evidências, os cidadãos reclamam, mas, ainda assim, como se existisse nesta cidade um poder intocável, a malfadada prática se mantém.

A produção dessa indústria é tão poderosa que, apesar da crise, só faz aumentar, figurando como fonte de receita crescente para os cofres da Prefeitura Municipal. De acordo com a previsão da Lei Orçamentária Anual, em 2012 as multas devem render cerca de R$ 3,8 milhões ao caixa da prefeitura. É preciso repetir: nada menos que cerca de R$ 3,8 milhões!

Enquanto isso, o trânsito na cidade, sobretudo no Centro e bairros adjacentes, mas até em alguns pontos da periferia, não raro beira o caos. Enquanto isso, é possível trafegar por várias ruas centrais sem encontrar um único agente de trânsito. Enquanto isso, os agentes de trânsito, que deveriam cuidar do ordenamento do tráfego, figuram em Campina como se fossem meros agentes para aplicação de multas.

É preciso punir o motorista infrator, claro! Quem não respeita as leis de trânsito deve sentir o peso da sua irresponsabilidade no bolso. Entretanto, lucrar com multas não pode, sob nenhuma hipótese, ser a meta do poder público. Em Campina Grande, todavia, a administração se isenta de responsabilidades: se o trânsito é caótico, a culpa é posta no aumento do número de veículos; se as multas crescem, a culpa é dos motoristas infratores.

São sofismas. É certo que quanto mais carros há nas ruas, mais complicado é gerir o trânsito. Só que é preciso gerir. Se deixar o problema entregue ao deus-dará, a realidade será a que vemos. As ações pontuais da STTP são importantes, mas são de pequeno porte e efeitos de pouca relevância no geral. Qual foi a grande ação pública direcionada ao trânsito da cidade nos últimos anos? Nenhuma!

Quanto à indústria de multas, dizer que esse crescimento substancial se deve unicamente ao comportamento dos motoristas é minimizar a capacidade de raciocínio do povo campinense. Voltaremos a esse assunto.

25 de out. de 2011

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Corrupção desviou R$ 85 bilhões em 2010. Enquanto isso, 44,8% das moradias não têm esgoto

Artur Almeida

Uma reportagem do jornal Extra no final de semana apontou que, desde 2003, a Advocacia Geral da União (AGU) ajuizou ações que, no total, pedem a devolução de R$ 67,9 bilhões que teriam sido desviados ou utilizados indevidamente – recursos atirados pelo ralo sem fundo da corrupção. O pior: sentenças judiciais garantiram a devolução de apenas R$ 1,5 bilhão, ou seja, 2,34% do total de R$ 67,9 bilhões. Isso quer dizer que, a cada R$ 100 de recursos públicos que evaporam por meio de maracutaias, a União conseguiu reaver, de 2003 a 2010, somente R$ 2,34.

Pior ainda é a notícia da última edição da revista Veja. Segundo a publicação, somente no ano passado, nada menos que R$ 85 bilhões foram surrupiados do erário público. Para que se tenha uma ideia, conforme a revista, esse montante seria suficiente para erradicar a miséria no país, ou para custear 17 milhões de sessões de quimioterapia, ou ainda construir 36 mil KM de rodovias, bem como para construir 1,5 milhão de casas.

Por outro lado, enquanto tamanha soma de recursos públicos escoa pelo esgoto da corrupção, reportagem do jornal Folha de São Paulo também do fim de semana passado revela que pesquisa divulgada pelo IBGE mostrou que nada menos que 44,8% dos municípios brasileiros não possuíam rede coletora de esgoto em 2008, ano do último levantamento. Não são destinados recursos para o que há de mais essencial.

É uma sequência devastadora de escândalos! O Brasil é um país que arrecada muito, que sufoca o trabalhador e o empreendedor com uma carga tributária absurdamente elevada, gerando um peso que inibe e impede um maior crescimento e, ao mesmo tempo, aplica mal o que arrecada, além de simplesmente fazer sumir boa parte destes recursos, que desaparecem dos cofres públicos para surgirem em contas bancárias em paraísos fiscais.

E, enquanto isso, quase metade da nossa população sequer tem acesso ao esgotamento sanitário. Uma vergonha! O Brasil necessita, urgentemente, de uma reforma política. Porém, precisa muito mais de uma reforma moral, que só acontecerá com o engajamento da população na luta contra a corrupção e pela derrubada do poder, pela via do voto, daqueles que usam o poder para se locupletar da coisa pública. Do jeito que está, a vaca vai pro brejo.

24 de out. de 2011

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Boa notícia: a AACD para Campina. Má notícia: querem tirar proveito político dessa conquista

Artur Almeida

No fim de semana, deve ser anunciada a conquista para Campina Grande de uma Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que, segundo previsto, será instalada nas proximidades do Açude de Bodocongó. O anúncio acontecerá durante o programa Teleton, do SBT, que é comandado pelo empresário Silvio Santos. A notícia, claro, é excelente.

Criada há 61 anos, a AACD tem como missão “promover a prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência física, especialmente de crianças, adolescentes e jovens, favorecendo a integração social”. Após receber o apoio da TV de Silvio Santos, em 1998, a entidade pôde se expandir, mas, mesmo assim, registra uma fila de espera superior a 32 mil pacientes.

Conforme a Associação, a edição do ano passado do Teleton arrecadou R$ 23,9 milhões, montante integralmente destinado para a construção de uma nova unidade na cidade de Mogi das Cruzes (SP). As informações que circulam em Campina Grande dão conta de que a soma obtida com as doações da 14ª edição do Teleton, que acontece nesta sexta e sábado, será destinada à construção da AACD campinense. Tomara!

Há, contudo, um lamentável fato que pede registro, porque chama a atenção, mais uma vez, para uma mentalidade de vale-tudo político impregnada na nossa Campina há tempos. Pelas conversas iniciais, há alguns meses, chegamos a acreditar que a classe política se uniria em prol da luta pela vinda da AACD, deixando de lado, ainda que por um instante, suas diferenças.

Só que nesta quinta, às vésperas do Teleton, com a definição já encaminhada, a assessoria da prefeitura fez circular matérias que procuram atribuir à gestão municipal o mérito pela conquista da unidade. É uma postura repudiável, de uma administração que procura criar uma realidade paralela, um mundo de propagandas, e busca tirar dividendos políticos de tudo – inclusive daquilo para o que muito pouco colaborou.

20 de out. de 2011

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