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Eleição não pode ser um jogo de cartas marcadas

Artur Almeida

Com a aproximação das eleições de outubro, apontando o calendário que estamos agora a seis meses das convenções, aumenta o frenesi dos tradicionais grupos políticos, que há cerca de quatro décadas comandam com mão de ferro os destinos de Campina Grande, e é mesmo nítido os movimentos por eles perpetrados no intuito de inviabilizar prováveis candidaturas que ameaçam a polarização mantida intocável até hoje. Para tanto, usam de todos os artifícios possíveis.

Isso acontece porque há um nítido desgaste das forças tradicionais perante a opinião pública campinense, que cada vez mais tem percebido que o revezamento restrito a dois grupos que se engalfinham pelo poder faz mal à cidade, muito mal. Além disso, estes mesmos grupos dão sinais de esgotamento, por conta do seu próprio hermetismo interno, ou seja, pela centralização do controle em poucas mãos (normalmente numa família), impedindo o surgimento de novas lideranças.

Tudo isso, somado a outros fatores, tem ligado o sinal de alerta entre as tradicionais lideranças políticas da cidade, mas, ao contrário do que seria sensato e mesmo positivo, estas figuras não parecem dispostas a mudar de postura. Daí as manobras renovadas, daí os excessos cada vez mais impressionantes, numa evidência clara de que, para alguns, a luta pelo poder não respeita limites.

Para muitos, é impossível que essa polarização seja quebrada. Não haveria como se derrotar o poderio econômico ou superar as muralhas das velhas tradições. Contudo, não pensamos assim. É preciso ler nas entrelinhas, perceber o sentimento do povo. E, mais que isso, é preciso ter disposição para a luta, apresentar-se como agente da história, e não apenas mero expectador.

Toda revolução tem seu tempo e nenhuma delas se prenuncia explicitamente. Campina Grande precisa e, cedo ou tarde, vai escrever sua própria revolução, rompendo esse ciclo que não nos faz bem. E o fará porque tem que ser feito, porque não é mais suportável que permaneça como está.

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