A influência do ex-governador Cássio Cunha Lima e do atual prefeito Veneziano Vital do Rêgo em Campina Grande não pode ser negada. Daí, porém, a se apregoar um controle total e a falsa certeza de polarização da disputa em 2012 entre os grupos chefiados pelos dois, há uma distância muito grande. Curiosamente, essa tese é defendida e alardeada por aliados e assessores tanto de um quanto de outro bloco. Por que será?
O motivo é que a manutenção dessa dualidade ultrapassada assegura a restrição do revezamento no poder apenas aos dois grupos, muito semelhantes em suas práticas e separados somente pela rivalidade em torno do controle político da cidade. Logo, não interessa a nenhum deles o surgimento de outras lideranças, muito menos o advento de uma cultura de diversas candidaturas fortes.
O poder de centralização desses blocos, infelizmente, ainda é elevado. No entanto, é possível – como, inclusive, já apontamos em outra ocasião – perceber que a consciência política do campinense está cada vez mais desenvolvida. Há esperança! E essa fé se baseia até mesmo em resultados envolvendo os blocos políticos dominantes.
Um exemplo disso é o próprio resultado de 2004. Naquele pleito, o Veneziano Vital do Rêgo que venceu Rômulo Gouveia, candidato de Cássio e favorito absoluto, era um jovem vereador, relativamente sem padrinhos de grande peso, sem o apoio de uma máquina pública. O próprio peemedebista já relatou que muitas vezes durante aquela campanha foi tratado com desdém no meio político e pela mídia. No fim, todos sabem o resultado.
E esse resultado aconteceu porque a maioria viu naquele jovem vereador uma novidade, a quebra na dualidade que havia dominado até então, com a disputa focada no grupo Cunha Lima contra o ex-prefeito Enivaldo Ribeiro. Infelizmente para Campina, uma vez no poder aquela aparente novidade acabou mantendo as velhas práticas políticas.
Seja como for, o povo queria e quer o fim da polarização, todavia, para que encerremos esse rodízio retrógrado é preciso que, ao contrário do que aconteceu em praticamente todas as eleições municipais, surjam terceiras vias, nomes que realmente não sejam apadrinhados por nenhum cacique. O eleitor campinense está cada dia mais amadurecido, mais politizado. E mais cansado dessa política pequena de grupinhos que se alternam no poder.
O ano de 2012 pode escrever um novo e ainda mais substancial capítulo a essa história.







0 comentários:
Postar um comentário