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Não basta ter um bom projeto, é preciso ter capacidade para realizá-lo

Artur Almeida

O cenário que se apresenta para as eleições municipais de 2012 aponta que teremos o fim da extrema polarização entre dois grupos tradicionais, com a apresentação de bons candidatos e boas propostas. Isso é positivo. Teremos a grande chance de tirar a cidade desse dualismo oligárquico que, no meu modo de ver, trouxe muito mais prejuízos que ganhos. Cada governante teve a sua importância, fez suas obras, mas, a verdade é que a perpetuação no poder acaba levando a uma deturpação, na qual um projeto de governo transforma-se em projeto de poder.

No ano que vem, deveremos ter vários nomes concorrendo à prefeitura municipal. No entanto, é importante que o eleitor tenha a consciência de procurar saber se aquele melhor projeto está sendo apresentado por alguém que, efetivamente, tem a capacidade de executá-lo.

Isso porque, muitas vezes, alguém até pode apresentar um bom projeto, mas o histórico daquela pessoa desabona o autor no tocante às condições de executá-lo. Resumindo, é importante analisar se o projeto é bom, mas também se seu autor tem condições de realizá-lo, inclusive se o passado daquela pessoa dá condições de se acreditar no compromisso.

Até porque você pode conseguir bons projetos nas universidades e já tem até portal na internet vendendo cartas-programa para vereadores e prefeitos! E, o mais comum, muitos candidatos têm equipes que formam esses programas apenas para que sejam usados durante a campanha. Vencida a eleição, os livrinhos com as propostas mofam em prateleiras ou no fundo das gavetas.

O eleitor, inclusive, já deve ter reparado que, em período eleitoral, tudo parece fácil de ser resolvido. Pelo que o marketing dos candidatos mostra, curar todos os males da saúde, da educação, da falta de infraestrutura e da economia soa como algo que pode ser feito com uma varinha de condão. Passa a eleição e o discurso muda, tudo parece difícil, praticamente impossível de se melhorar.

É por isso que temos que ficar de olho nas propostas mágicas, de figuras cujos seus grupos políticos são useiros e vezeiros na prática de prometer, de propor, de apresentar projetos. Para prometer, basta ter boca. Para realizar, é preciso ter vontade e capacidade.

1 comentários:

Lembro da frase do filósofo italiano Antonio Gramsci "crise é quando o velho se decompoe e o novo não consegue emergir". Talvez seja este o problema dos que chegam ao poder - com poucos anos ficam acomodados, viciados no que consideram suas próprias virtudes, afastados da realidade. Na verdade, a fórmula de varar anos guiando os destinos do povo sem abusar ou ser abusado é muito difícil. Mas os gregos já ensinavam que é possível...