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A lucrativa indústria de multas no trânsito de Campina Grande

Artur Almeida

Há muito se fala na existência de uma indústria de multas no trânsito de Campina Grande. Não é só papo de esquina, nem falsa justificativa de motorista irresponsável. Vereadores denunciam, deputados denunciam, magistrados confirmam as evidências, os cidadãos reclamam, mas, ainda assim, como se existisse nesta cidade um poder intocável, a malfadada prática se mantém.

A produção dessa indústria é tão poderosa que, apesar da crise, só faz aumentar, figurando como fonte de receita crescente para os cofres da Prefeitura Municipal. De acordo com a previsão da Lei Orçamentária Anual, em 2012 as multas devem render cerca de R$ 3,8 milhões ao caixa da prefeitura. É preciso repetir: nada menos que cerca de R$ 3,8 milhões!

Enquanto isso, o trânsito na cidade, sobretudo no Centro e bairros adjacentes, mas até em alguns pontos da periferia, não raro beira o caos. Enquanto isso, é possível trafegar por várias ruas centrais sem encontrar um único agente de trânsito. Enquanto isso, os agentes de trânsito, que deveriam cuidar do ordenamento do tráfego, figuram em Campina como se fossem meros agentes para aplicação de multas.

É preciso punir o motorista infrator, claro! Quem não respeita as leis de trânsito deve sentir o peso da sua irresponsabilidade no bolso. Entretanto, lucrar com multas não pode, sob nenhuma hipótese, ser a meta do poder público. Em Campina Grande, todavia, a administração se isenta de responsabilidades: se o trânsito é caótico, a culpa é posta no aumento do número de veículos; se as multas crescem, a culpa é dos motoristas infratores.

São sofismas. É certo que quanto mais carros há nas ruas, mais complicado é gerir o trânsito. Só que é preciso gerir. Se deixar o problema entregue ao deus-dará, a realidade será a que vemos. As ações pontuais da STTP são importantes, mas são de pequeno porte e efeitos de pouca relevância no geral. Qual foi a grande ação pública direcionada ao trânsito da cidade nos últimos anos? Nenhuma!

Quanto à indústria de multas, dizer que esse crescimento substancial se deve unicamente ao comportamento dos motoristas é minimizar a capacidade de raciocínio do povo campinense. Voltaremos a esse assunto.

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