Embora haja tantos outros temas a tratarmos, voltamos ao assunto trânsito e indústria da multa. Acontece que, após nossos comentários sobre essa nefasta indústria, muitas pessoas nos relataram casos em que motoristas teriam sido multados por terem problemas de ordem pessoal com agentes da STTP. As autuações seriam, nesse caso, um ato de retaliação da parte dos agentes, que usariam o cargo para, assim, se vingarem de desafetos.
Certamente, a maioria dos agentes de trânsito da nossa cidade é de pessoas de bem, que exercem sua atividade com zelo e jamais se passariam para esse tipo de papel. Mesmo assim, em qualquer profissão há gente problemática. Além disso, todo mundo em Campina conhece histórias desse tipo. E, tem mais. Recentemente, um vereador de oposição afirmou que estava sendo vítima de perseguição política engendrada através de uma série de multas.
Mesmo que tudo o que se fala sobre esse tema fosse inverdade – o que não nos parece provável – a verdade é que, da forma como as multas são aplicadas hoje em Campina, esse tipo de retaliação pode facilmente ser posta em prática. Conforme registramos em outro artigo, a justiça partilha dessa mesma preocupação. No texto do dia 26 de outubro, registramos fala de um juiz que, na sentença em que anulou uma multa e condenou a STTP a indenizar o motorista por danos morais, alertou sobre os “anônimos agentes de trânsito”.
O comentário do magistrado foi repercutido pelo Jornal da Paraíba. “A lei pretende evitar que os motoristas ‘fiquem expostos aos sentimentos de humor ou rancor dos agentes de trânsito’, mas a STTP os ‘identifica’ com códigos e rubricas, como se estes fossem ‘agentes secretos’”. Uma exposição claríssima!
Por que, no entanto, esse cuidado não é observado? Por que a gestão municipal se recusa a adotar medidas necessárias à devida proteção do cidadão? Nenhum de nós será favorável a indulgência para quem dirigir irresponsavelmente, mas, da mesma forma, não se pode conceber que os cidadãos fiquem sujeitos a qualquer retaliação por desavenças de ordem pessoal ou rivalidades políticas. E hoje, infelizmente, estamos todos sujeitos a isso.







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