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Saúde: funcionar é preciso

Artur Almeida

Há grande disse-me-disse em relação à qualidade da saúde pública em Campina Grande. O povo critica, o Ministério Público aponta problemas sérios, a gestão municipal rasga elogios e diz que tudo vai às mil maravilhas. Quem está com a verdade? Evidentemente, é quem sente todos os dias na própria pele as agruras do atendimento público ineficaz numa hora difícil, de dor e fragilidade.

No entanto, não nos cabe nem tampouco nos interessa encontrar culpados ou responsáveis neste momento, mas sim propor o debate franco e amplo e procurar apontar perspectivas para um problema que atinge e aflige milhares de campinenses. Um município como Campina Grande, que tem gestão plena, incorpora um grande rol de responsabilidades. Uma delas, gerir o Programa de Saúde da Família.

Neste quesito, mais que se preocupar unicamente com a quantidade de Unidades Básicas de Saúde da Família, a gestão municipal deve empenhar-se em otimizar a qualidade deste atendimento e destes equipamentos. O fundamental é que as pessoas não percam sua viagem ao se deslocarem até uma destas unidades. Elas precisam ser atendidas, e atendidas bem.

O principal, um aspecto que notoriamente é o maior gargalo da nossa saúde municipal, é fazer com que os exames sejam efetivamente realizados, e que o prazo de espera para realização destes procedimentos seja encurtado. Atualmente – e isso vem de longe – as pessoas marcam uma consulta, esperam dias para serem atendidas, o médico pede um exame, que é agendado para semanas depois e, frequentemente, no dia marcado o exame não é realizado.

Com isso, é comum que as pessoas recebam os resultados dos procedimentos depois de tanto tempo que, quando voltam ao médico, os exames não mais têm validade. Isso precisa mudar urgentemente. Primeiro, porque a doença não espera, e enquanto o paciente vai de um lado para outro, ela avança; Segundo porque é inadmissível que seres humanos enfermos façam essa peregrinação toda inutilmente; Terceiro porque é um desperdício de recursos.

É preciso que, ao invés de confrontar e tentar desmentir as queixas de cidadãos humildes que buscam dar eco à sua justa indignação, o poder público engendre todos os esforços possíveis para fazer com que a saúde funcione.

1 comentários:

Esse modelo atrasado de saude municipal.Bem como todas as ma
zelas da adm. municipal são decorrentes de 40anos de revezamentos familiares nesta paroquia provinciana.