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A praça é nossa. Mas, cadê a praça?

Artur Almeida

Quando minha geração era criança, qualquer terreno baldio (e eram muitos na cidade) servia perfeitamente de campo de futebol, quaisquer duas pedras davam boas traves. Se não fosse num terreno baldio, podia ser em qualquer rua com pouco tráfego – o que era, também, fácil de achar. A rua servia para jogar pião, bola de gude, esconde-esconde, além de amarelinha e queimada – estas duas últimas preferidas pelas meninas.

Enquanto a gurizada brincava, pais e mães, nas horas vagas, conversavam com vizinhos no portão ou na calçada. O sossego daqueles dias não podiam se comparar com os tempos amedrontados de hoje, em que as crianças precisam crescer “presas” dentro de casa, no máximo brincando nos parquinhos dos condomínios, com a supervisão cuidadosa dos pais.

Dentro do contexto hodierno, onde os espaços de lazer estão cada vez mais reduzidos pela expansão imobiliária, pela violência e o trânsito, as praças têm um papel de extrema relevância no cenário urbano. Elas não são apenas cenários que melhoram a paisagem cada vez mais cinzenta dos bairros. As praças são uma necessidade como áreas de lazer para crianças e adultos, palcos culturais, espaço para a prática de exercícios e para a interação entre as pessoas.

São, também, áreas verdes que ajudam os bairros a respirar melhor e acolhem os pássaros e outros pequenos espécimes. Campina Grande precisa de mais praças. Todos os bairros devem ter praças – os maiores, inclusive, mais de uma unidade, claro. Esse tipo de equipamento precisa fazer parte do planejamento urbano, que não deve desconsiderar a qualidade de vida dos cidadãos.

Temos pouquíssimas praças, sobretudo fora da área central, e nos bairros da periferia as poucas que existem sofrem – e isso não é de hoje – com o descuido e a ocupação indevida, muitas vezes invadidas por lanchonetes e barzinhos improvisados. Isso precisa mudar.

É necessária a criação de novas praças, a reforma das que já existem, e a implementação de uma fiscalização rígida para que se evite a ação de marginais e vândalos, além da ocupação indevida. Isso será possível com a parceria entre o Município e o Estado na Segurança Pública, conforme proposto em textos anteriores. A praça é nossa, é dos nossos filhos, é do povo.

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