A mesquinharia e a pequenez da nossa política tornam-se ainda mais evidentes quando grupos e partidos que se alternam no poder disputam abertamente a paternidade de obras e ações realizadas com recursos públicos, tudo para tentar tirar algum proveito eleitoreiro da realização. É um comportamento vergonhoso, pequeno, medíocre, indigno e quem assim age (e não são poucos) faz por merecer também cada um destes adjetivos.
Certas práticas são comuns em quase todo o Brasil, sendo mais freqüentes e grosseiras em regiões onde a política é mais paroquiana, mais personalista, e as chamadas oligarquias partidárias e familiares dominam com mais força. Como registramos em uma postagem passada, nestes casos, as obras públicas são anunciadas como “presentes” dos governantes, ou seja, praticamente um favor que fazem ao povo, um gesto de suposta bondade que procura fazer das pessoas (os eleitores) eternos devedores.
Estando em pleno século XXI, soa impressionante que esquemas deste tipo e mentalidades políticas tão retrógradas ainda ocupem tanto espaço. Mas, infelizmente, a velha política ainda é bastante presente em alguns pontos do Brasil, sobretudo cá por estes lados do Nordeste. Entretanto, acreditamos que essa realidade pode mudar. Mais que isso, estamos certos de que esse é um quadro que tem que mudar.
E mudará com a transformação da percepção do eleitor, cada vez mais amadurecido e escolado em relação a essa política atrasada; mudará com a disponibilidade de novos agentes políticos, que sejam novos de verdade (não apenas na aparência, mas em gestos e atos), que discutam projetos de governo e, uma vez no poder, realizem gestões republicanas, ao invés de fomentarem projetos de poder. Sim, isso é possível!
Uma nova mentalidade política leva governos a trabalharem integrados, a despeito das eventuais diferenças partidárias e/ou ideológicas. E, neste panorama, não há porque brigar pela paternidade de obras e realizações que, na verdade, são custeadas pelo povo, desde o mais humilde cidadão, que sustenta o país através da onipresente carga tributária. Ou seja, se as ações públicas têm um pai, esse pai é o povo.







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