A mais recente resposta da gestão municipal ao problema da origem da carne consumida em Campina Grande foi apontar a existência de um matadouro privado que, segundo declaração de um representante da Vigilância Sanitária ao Diário da Borborema de 01 de maio, ainda carecia de “alguns ajustes na estrutura e a licença ambiental”. A própria matéria lembra que o matadouro citado já havia sofrido interdição (na verdade interdições) por estar fora dos critérios exigidos. A outra resposta aponta o endurecimento da fiscalização aos abatedouros clandestinos.
São medidas importantes, mas a existência de um único abatedouro privado não atende às necessidades de Campina, e isso está patente. Nossa cidade precisa de um equipamento público que, além da dar maior segurança à procedência da carne, ainda gera empregos. A decisão de fechar o matadouro foi, ao nosso ver, um equívoco lamentável que precisa ser corrigido. Defendemos a iniciativa privada e um Estado que interfira menos na economia, mas essa questão específica tem componentes sanitários e sociais que vão além do aspecto econômico. E, mesmo não tendo sido um erro da atual gestão, cabe a quem governa dar as respostas devidas.
Ao invés disso, porém, empurra-se o problema com a barriga e, quando a imprensa questiona, atira-se justificativas e promessas a esmo. Em 2010, após uma ação da Vigilância Sanitária que interditou um abatedouro clandestino no bairro do Monte Santo, um coordenador da Secretaria de Agricultura do Município prometeu que seria firmada “parceira com a iniciativa privada para regulamentar o abate de animais no município”.
Conta trecho de uma matéria da época, mencionando fala do coordenador: “‘Creio que em janeiro as obras desse matadouro já estejam concluídas e possamos enfim emitir a sua autorização de funcionamento’, disse. Ele completou afirmando que a intenção da secretaria é também incluir no orçamento do próximo ano a construção de um abatedouro para animais de pequeno porte”. Isso foi há um ano.
E mais. Esse matadouro citado na fala do coordenador é o mesmo do início deste artigo, mencionado na matéria do Diário da Borborema de maio. Tem mais. É exatamente o mesmo que o prefeito citou durante sua campanha à reeleição, em 2008. Ou seja, pelo menos há mais de três anos a citação desse abatedouro privado vem sendo repetida pela prefeitura como justificativa e resposta para um problema que resolveu ignorar. Assim, a mais recente resposta da gestão municipal ao problema é também a sua mais antiga resposta.
Imagem: Blog Retalhos Históricos de Campina Grande






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