A má qualidade do transporte público no Brasil torna a aquisição de uma motocicleta ou automóvel uma meta comum a todo trabalhador. Afinal de contas, quem agüenta ter que esperar por um coletivo que frequentemente atrasa e que sempre está apertado como uma lata de sardinha nos horários de pico? Isso além dos já corriqueiros casos de assaltados dentro dos ônibus.
As pessoas acabam tendo que acordar mais cedo do que deveriam, descansando menos, já saindo de suas casas estressadas e tendo que enfrentar um transtorno cotidiano inaceitável. Na volta, após um dia puxado de trabalho, a tortura se repete. Quem pode, “foge”, compra seu carrinho ou uma moto. Com isso, o transporte público ineficiente contribui substancialmente para o aumento do caos no trânsito, com o crescimento exponencial do número de veículos em circulação todos os anos.
Os engarrafamentos vão ficando cada vez mais freqüentes e maiores, o tráfego mais lento e achar uma vaga para estacionar vai virando um jogo de sorte. No ano passado, um dos jornais da cidade mostrou que é mais fácil passar num vestibular concorrido que encontrar uma vaga disponível na Zona Azul.
Estabelece-se, então, um círculo vicioso crescente: os ônibus não atendem a necessidade da população, a quantidade de veículos na rua se multiplica vertiginosamente, carros e ônibus trafegam lentamente, não se consegue estacionar, as motos (mais baratas e de baixo custo de manutenção) invadem cada palmo das ruas, aumentando o número de acidentes graves e de mortes... Em resumo, caminha-se para o caos.
Todos os especialistas estão de acordo: O remédio mais eficaz para amenizar esse processo caótico é, com certeza, a melhoria da qualidade do transporte público. Nas próximas postagens, trataremos algumas das opções para uma cidade do porte de Campina Grande.
No entanto, é preciso destacar a indiferença da gestão pública municipal em relação ao transporte público. As queixas da população são abundantes, sobretudo em relação ao atraso dos coletivos, à superlotação e ao mau atendimento a idosos e deficientes. Boa parte dos bairros mais pobres não são cortados por linhas de ônibus. Ainda assim, as empresas minimizam as reclamações, e a prefeitura ignora o problema, apesar de o sistema funcionar por concessão pública.
Logo, o caos tem início na base do sistema, o serviço de transporte público, que precisa melhorar. E muito. Voltaremos ao assunto.







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